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Home»Tocantins»Delegado aposentado que investigou padrasto pela morte da enteada em 2009 relembra caso: ‘Chocou pela crueldade’
Tocantins

Delegado aposentado que investigou padrasto pela morte da enteada em 2009 relembra caso: ‘Chocou pela crueldade’

junho 5, 2026Nenhum comentário0 Visitas

Incêndio que matou padrasto e enteada em Araguaína é investigado pela Polícia Civil
O padrasto Ivano Vaz Cunha, que morreu carbonizado em um incêndio, cumpria pena em regime semiaberto pelo assassinato da enteada, Layla Athyla Maranhão, que ocorreu em 2009. Na época, ele foi condenado por estuprar, asfixiar e queimar a jovem em Araguaína, região norte do Tocantins (entenda mais abaixo). O responsável pelas investigações foi o delegado Silneyr Deófanes de Castro.
“Em toda minha carreira policial, foi uma das investigações que mais me chocou pela crueldade. Ele [Ivano] demonstrava ser uma pessoa fria e sem arrependimento. Um verdadeiro psicopata. A polícia, na época, fez o trabalho que lhe era atribuído”, disse.
Ivano Vaz Cunha foi encontrado morto em uma casa, em Araguaína, próximo ao corpo da jovem Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos, nesta quarta-feira (3). Ele era padrasto dela. Os dois estavam carbonizados. O caso ainda é investigado pela Polícia Civil.
Ivano Vaz Cunha, de 49 anos, morreu carbonizado em Araguaína
Reprodução/TV Anhanguera
Silneyr Deófanes é delegado aposentado da Polícia Civil do Tocantins desde 2015. Atualmente, trabalha como advogado criminalista, mas atuou na Polícia Civil durante 30 anos, sendo quatro como agente de polícia em Goiás e 26 como delegado no Tocantins.
Em entrevista ao g1, ele contou que, após o crime em 2009, Ivano chegou a procurar uma emissora de TV, onde foi preso.
“Poucas horas após o crime, Ivano se apresentou espontaneamente em uma emissora de televisão de Araguaína. Na ocasião, o apresentador do programa entrou em contato conosco, informando que ele estava no local. Diante da informação, a equipe policial se deslocou imediatamente até a emissora, ocasião em que efetuamos sua prisão”, explicou.
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Para o delegado aposentado, mesmo após 17 anos, é impossível esquecer o crime que causou a morte de Layla Athyla, “em razão da crueldade do crime e do impacto causado na sociedade à época”.
O delegado informou que lembrou imediatamente do crime de 2009 após saber que Ivano havia sido encontrado carbonizado junto com outra enteada, Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos.
Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos, morreu carbonizada em Araguaína
Reprodução/Instagram de Laiane Cardoso Noleto
Condenado a 35 anos
Ivano Cunha foi condenado a 35 anos de prisão pela morte de Layla Athyla Maranhão, segundo informações divulgadas no Diário da Justiça de 2011. Na época, ele confessou que cometeu os crimes de incêndio e homicídio. No mesmo ano, Ivano teria tentado fugir da prisão.
A Justiça determinou que a pena fosse cumprida em regime fechado. Por causa dos trabalhos feitos na unidade penal, o padrasto teve redução no período de reclusão, além de conseguir mudar para o regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica.
A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça informou que Ivano obteve o benefício do trabalho externo para atuar no setor de vendas, permitindo que ele se deslocasse para todo o território do Tocantins, com o uso da tornozeleira. Conforme o estado, todas as violações registradas no sistema de monitoramento foram notificadas ao Poder Judiciário, responsável pela aplicação de punições (veja nota completa abaixo).
Corpos carbonizados em casa
Incêndio em residência deixou dois mortos, em Araguaína (TO)
Divulgação/Bombeiros
Os bombeiros foram acionados para combater um incêndio em uma residência no setor Lago Azul I, em Araguaína, na última quarta-feira (3). No local, os militares encontraram o corpo de Laiane Cardoso debaixo de um guarda-roupa, dentro de um dos quartos da casa.
O corpo de Ivano foi localizado sobre os destroços de uma cama destruída pelas chamas. Segundo a Polícia Militar, os dois estavam sem roupas na parte inferior do corpo. No imóvel, também foi encontrado um galão com vestígios de gasolina.
No dia do incêndio, uma testemunha relatou ter ouvido uma explosão. Ao perceber o fogo, ela tentou arrombar a porta do quarto com a ajuda de um vizinho, mas não conseguiu devido à intensidade das chamas. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Íntegra da nota da Seciju
Em relação ao caso do custodiado Ivano Vaz Cunha, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) esclarece que seu monitoramento eletrônico cumpria determinação do Poder Judiciário. Por ordem da Justiça, o reeducando obteve o benefício do trabalho externo para atuar no setor de vendas, o que o autoriza a deslocar-se a trabalho por todo o território do Estado. Como obrigações fixadas pela decisão judicial, ele recolhia-se em sua residência durante o período noturno e comunicava previamente qualquer viagem interestadual.
A Seciju ressalta que todas as inconsistências e violações de regras registradas pelo sistema de tornozeleira eletrônica foram devidamente verificadas pela Polícia Penal e informadas de maneira imediata ao Poder Judiciário.
A pasta reforça que a aplicação de punições, a perda de benefícios ou o retorno do preso ao regime fechado são prerrogativas exclusivas dos juízes da execução penal. A secretaria atua estritamente na fiscalização técnica e no cumprimento das ordens judiciais, mantendo o acompanhamento rigoroso de todos os monitorados.
Por fim, a secretaria informa que a Unidade Penal de Araguaína está operando regularmente e recebendo custodiados normalmente, dentro de sua capacidade operacional.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
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